- Tráfego em janeiro e fevereiro esteve em linha com 2019;
- Março registou quebra significativa a partir de meados do mês e esperam-se quedas mais pronunciadas em abril;
- "A queda acentuada do tráfego aéreo é bastante preocupante, por tudo o que tal representa em termos de impactos na economia", diz presidente da NAV.
A NAV Portugal geriu menos 24,3 mil voos ao longo do mês de março, uma quebra de 36% face ao mesmo mês de 2019. Ao todo, registaram-se 43,8 mil movimentos contra os anteriores 68 mil nas duas regiões de informação de voo[1] da NAV Portugal.
Os números evidenciam o impacto da pandemia de Covid-19 e das diversas medidas assumidas por vários Estados para conter o ritmo de contágio, medidas que determinaram quedas abruptas no sector da aviação civil a nível global.
O total de voos geridos pela NAV, ou “movimentos”, inclui não apenas os voos com origem/destino em aeroportos portugueses, mas também aqueles que sobrevoam o espaço aéreo sob responsabilidade portuguesa – que totaliza mais de 5,8 milhões km2.
Apesar da quebra do tráfego no mês de março, como um todo, se ter situado em 36%, sublinhe-se que foi a partir do dia 16 que se iniciou um ciclo de quebras cada vez mais acentuadas à medida que diversas ligações começaram a ser suspensas[2].
Desta forma, e dividindo o mês de março em dois, nota-se que na primeira metade a NAV Portugal geriu perto de 31,8 mil voos, uma redução de apenas 2% face ao mesmo período de 2019. Já na segunda metade do mês, a NAV controlou perto de 12 mil voos, menos 66% em relação à segunda metade de março de 2019. Já se tivermos apenas em linha de conta a última semana do mês, a quebra do tráfego superou os 85%.
Os valores registados na última semana de março, ao que tudo indica, deverão manter-se ao longo do corrente mês, sendo por isso expectáveis quebras a rondar os 85% e 95%. As suspensões de ligações aéreas irão provavelmente manter-se, isto além do encerramento temporário dos aeroportos em Portugal, e várias companhias já anunciaram que manterão a maioria dos aviões em terra até maio.
Em relação ao resto do primeiro trimestre de 2020, é de salientar que o tráfego aéreo gerido pela NAV Portugal mostrava sinais de estabilização em janeiro e fevereiro, com os perto de 119 mil movimentos geridos nesses dois meses a situarem-se praticamente ao mesmo nível do período homólogo de 2019.
Para o Presidente do Conselho de Administração da NAV Portugal, General Manuel Teixeira Rolo, “a queda acentuada do tráfego é bastante preocupante, por tudo o que tal representa em termos de impactos na economia, no emprego e na vida das pessoas”. Porém, sublinha: “A prioridade hoje é conter o mais possível o impacto de uma disseminação acelerada do COVID19, sendo essa uma batalha a que todos estamos convocados.”
O carácter global da aviação e da pandemia Covid-19 faz com que o cenário de queda abrupta do tráfego não seja um exclusivo português. Considerando todos os voos geridos na rede Eurocontrol[3], o tráfego diário em março caiu 40,6%, de uma média de 27,3 mil movimentos diários para 16,1 mil. Queda que será mais pronunciada em abril.
Tráfego nas principais Torres de Controlo
Olhando para o tráfego nos principais aeroportos do país, ou seja, para as chegadas/partidas em cada uma destas infraestruturas, a evolução foi semelhante à do tráfego global, com quebras bastante pronunciadas a partir da segunda metade do mês.
- No aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, a primeira semana de março terminou com mais 0,72% de tráfego, ao passo que a segunda semana evidenciou um recuo de -2,94% e a terceira -50%. Já na última semana, o tráfego em Lisboa afundou -86,7%, registando-se 525 voos contra os 3.591 voos da última semana de março de 2019.
- A Norte, no aeroporto Sá Carneiro, o tráfego na primeira semana de março recuou -2%, caindo para -4% na semana seguinte e -57% na terceira semana.Já na última semana de março, a NAV geriu -87% de voos a partir da Torre do Porto, ou seja, 244 voos contra 1.927 na mesma semana de 2019.
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A Sul, no aeroporto de Faro, a primeira semana de março registou +10% de voos controlados. Depois, seguiram-se quedas de -6%, -35% e -86%, respectivamente, face às mesmas semanas de 2019. Na última semana do mês, Faro contabilizou 159 voos, contra os 1.098 registados na última semana de março de 2019.
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Na ilha da Madeira, o aeroporto Cristiano Ronaldo, no Funchal, registou quebras de -1% e -3% nas duas primeiras semanas do mês, seguindo-se -35% de tráfego na terceira semana e -91,3% na última semana do mês. No Funchal, e na última semana de março, foram geridos 44 voos, contra os 504 registados na mesma semana de 2019.
Covid-19 e a NAV Portugal
A NAV Portugal contava, ao dia de ontem, 5 de abril, com mais de 400 colaboradores a trabalhar desde o domicílio. Contudo, e dada a especificidade da missão que está confiada à NAV, várias centenas de trabalhadores continuam a exercer as suas funções nas diversas instalações da empresa espalhadas pelo país.
Além do tráfego regular que se mantém, da manutenção dos equipamentos e de assegurar a realização de todos os voos de emergência médica, estes profissionais contam hoje com uma responsabilidade acrescida: garantir todas as condições para a realização dos voos de repatriamento que trazem os residentes de Portugal e da União Europeia de volta a casa neste período difícil, assim como voos de transporte de mercadorias e bens, sobretudo material médico.
“Um agradecimento especial a todos os profissionais da NAV que continuam a garantir o seguro e expedito fluxo do tráfego aéreo. É um orgulho constatar diariamente o zelo, rigor e sacrifício com que enfrentam uma altura particularmente complicada para todos. E é também um agradecimento que a NAV Portugal estende a todos os profissionais que, nos mais variados sectores, continuam a assegurar os bens e serviços essenciais a todos nós com um obrigado muito sentido e particular a todos os profissionais do Serviço Nacional de Saúde”, sublinha o Presidente do Conselho de Administração da NAV Portugal, General Manuel Teixeira Rolo.
Para conhecer mais sobre a evolução do tráfego e a adaptação da operação da NAV Portugal, veja o vídeo neste link.
[1] A Região de Informação de Voo (RIV) de Lisboa, com 671.000 km2, abarca Portugal Continental e o Arquipélago da Madeira; e a Região de Informação de Voo de Santa Maria, com 5,18 milhões de km2, inclui uma vasta área do Oceano Atlântico Norte e o Arquipélago dos Açores.
[2]A 10 de março, foram suspensos os voos para Itália. Seguiu-se a suspensão de voos europeus para os Estados Unidos, no dia 13, e a 17 as ligações entre Portugal e Espanha. Por fim, a 19 de março, a União Europeia suspendeu os voos extracomunitários. Perante a bateria de suspensões, várias companhias aéreas decidiram cancelar grande parte ou a totalidade das suas operações, com destaque para a TAP, Ryanair e easyJet, no caso português.
[3] Que abrange a Bélgica, Irlanda, Hungria, Suécia, Mónaco, Albânia, Lituânia, Marrocos, França, Portugal, Suíça, Rep. Checa, Eslováquia, Bósnia, Montenegro, Alemanha, Grécia, Áustria, Itália, Espanha, Polónia, Letónia, Luxemburgo, Malta, Dinamarca, Roménia, Macedónia do Norte, Ucrânia, Geórgia, Holanda, Turquia, Noruega, Bulgária, Moldávia, Sérvia, Estónia, Reino Unido, Chipre, Eslovénia, Croácia, Finlândia, Arménia e Israel.