O QUE É O CISM - CRITICAL INCIDENT STRESS MANAGEMENT


O CISM é um programa estruturado com o fim de garantir a assistência e apoio psicológico a quem estiver envolvido num incidente crítico.

Para além de estar vocacionado para este apoio e acompanhamento durante a crise (a crise representa uma ruptura no equilíbrio psicológico)inclui ainda um programa educacional.

Esta última componente engloba um plano de educação para a promoção da saúde, efectivo e com fins preventivos. Além disso permite que os indivíduos aprendam a lidar com uma situação indutora de stress no momento em que ela ocorre e nos momentos posteriores.

O programa CISM começa antes do incidente: com informação, educação e formação, possibilitando mudanças ao nível da cultura empresarial, relativas à área dos Factores Humanos.

Incidente crítico -
 Qualquer evento, relacionado com o trabalho, que cause uma reacção emocional forte com potencial para dominar as estratégias de coping usualmente eficazes, de um indivíduo ou de um grupo e com poder para interferir na capacidade de desempenharem as suas funções naquele momento ou mais tarde (Exemplos: perdas de separação, perda momentânea da percepção da situação do tráfego, near collision, acidente,etc.).

Stress de um incidente crítico -
 é a reacção de stress que uma pessoa ou um grupo tem a um incidente crítico. É caracterizado por um vasto número de sinais e sintomas cognitivos, físicos, emocionais e comportamentais. Podem manter-se durante alguns dias ou por um período de tempo mais prolongado. São reacções normais a um evento anormal.

Intervenção CISM -
 É um processo formal, estruturado e profissionalmente reconhecido com o objectivo de ajudar aqueles que estiveram envolvidos num incidente crítico. É um processo educativo, voluntário e confidencial.

Alguns dos sinais ou sintomas de stress de um incidente crítico

Físicos
Fraqueza, tonturas, náuseas, fadiga, dores no peito, dores de cabeça, pressão arterial alta, vómitos, ranger os dentes, calafrios, tremores, taquicardia, dificuldades de visão, sudação intensa, dificuldade em respirar, etc.

Cognitivos
Pesadelos, confusão, incerteza, hipervigilância, desconfiança, imagens intrusas, culpabilizar alguém, falta de capacidade na resolução de problemas, falta de capacidade de abstracção, falta de atenção/decisão, falta de concentração/memória, desorientação temporal, local ou pessoal, dificuldade em identificar objectos/pessoas, etc.

Emocionais
Medo, culpa, dor, pânico, rejeição, ansiedade, agitação, irritabilidade, depressão, angústia intensa, apreensão, fúrias, perda de controlo emocional, resposta emocional desapropriada, etc.

Comportamentais
Atitudes anti-sociais, incapacidade para descansar, hiperactividade, movimentos assíncronos, alteração de comportamento, alterações da fala, alteração do apetite, hipersensibilidade, aumento do consumo de álcool, aumento do consumo do tabaco, alteração dos métodos normais de comunicação, etc.

 
O que fazer depois de um incidente crítico
Se foste protagonista dum acontecimento traumático ou incidente crítico, mesmo depois de tudo acabado poderás sentir de imediato ou à posteriori reacções fortes quer emocionais, quer físicas. Por vezes, as emoções post-traumáticas (ou reacções ao stress) surgem logo após o sucedido. Outras vezes aparecem horas ou dias depois. E, nalguns casos, semanas e até meses. Os sinais e sintomas de stress podem durar dias, semanas, meses ou até mais dependendo da percepção e interpretação do sucedido. Assim logo que possível, e quanto mais cedo melhor, contacta a tua equipa CISM (um dos Pares ou o Coordenador Nacional). Eles estão preparados para te dar apoio seja a que hora for e no local que escolheres. Por vezes é necessária a intervenção de um profissional de saúde, os Pares sabem quando devem fazer o encaminhamento.

Formas de responderes às tuas respostas de stress:


NAS PRIMEIRAS 24 – 48 HORAS
  • Períodos de exercício físico alternados com períodos de descanso poderão aliviar algumas das tuas reacções físicas;
  • Organiza o teu tempo – mantêm-te ocupado; Lembra-te de que estás a ter reacções normais a uma situação, esta sim, anormal;
  • Conversar, falar sobre o que aconteceu é o melhor remédio;
  • Evita o excesso de comprimidos ou álcool, não precisas de piorar mais a situação;
  • Procura apoio – os outros preocupam-se contigo; Não te isoles;
  • Ajuda os teus colegas tanto quanto possível partilhando sentimentos, impressões;
  • Não te coíbas de sentir deprimido e partilha este sentimento com os outros;
  • Escreve o que te vai sucedendo durante as horas de vigília;
  • Faz coisas que te agradem;
  • Lembra-te que os que te rodeiam também estão sob tensão;
  • Não faças mudanças radicais no teu estilo de vida;
  • Toma o máximo de decisões possíveis de maneira a poderes sentir que tens controlo sobre ti mesmo, p.e. se alguém te perguntar o que queres comer, responde mesmo que não tenhas uma noção concreta;
  • Descansa;
  • Pensamentos repetitivos, sonhos ou retrospectivas são normais – não tentes lutar contra eles – ir-se-ão diluindo com o tempo e tornar-se-ão menos dolorosos;
  • Faz refeições equilibradas e regulares (mesmo que não te apeteça fazê-lo).
 
Informação útil para os familiares e amigos
  • Oiçam com atenção;
  • Disponham de tempo para passar com a pessoa traumatizada;
  • Ofereçam-se para ajudar e ouvir;
  • Demonstrem-lhes confiança;
  • Auxiliem-nos nas tarefas diárias, tais como: limpar, cozinhar; olhar pela família, cuidar das crianças;
  • Deixem-nos algum tempo a sós
  • Não suponha que qualquer atitude de fúria ou similar é contra si;
  • Não lhes diga que “podia ter sido pior” – as pessoas traumatizadas não se consolam com tais argumentos. Por outro lado lamente o ocorrido e demonstre que o compreende e que deseja auxiliá-lo